Listão: 10 novelas que a Globo quase reprisou no Vale a Pena Ver de Novo



O mercado de apostas anda agitado: todo mundo doido para saber qual o próximo cartaz da sessão Vale a Pena Ver de Novo, que substitui Senhora do Destino em dezembro. Enquanto a Globo não anuncia a atração seguinte, o TV História relembra dez tramas que a emissora pensou em reprisar, mas que, por contingências diversas, acabou deixando "na gaveta".



Para substituir a primeira reapresentação de A Viagem (1994), em setembro de 1997, a Globo escalou Dancin' Days, de 1978. A escolha, incomum para uma época em que a emissora só reexibia folhetins recentes, se deu em razão do aniversário de 20 anos da novela de Gilberto Braga, comemorados em julho de 1998. O autor, no entanto, pretendia reescrever sua obra - tendo Malu Mader, Glória Pires e Leandra Leal revivendo as personagens de Sônia Braga (Júlia), Joana Fomm (Yolanda) e Glória Pires (Marisa). Tanto a reprise quanto o remake ficaram só na intenção. E A Viagem acabou substituída por Fera Ferida (1993).



Cinco novelas foram enviadas para a apreciação do Ministério da Justiça e consequente liberação para a faixa vespertina em maio de 2000. A Globo reexibiu duas delas: A Próxima Vítima (1995) e Roque Santeiro (1985). Outras três foram deixadas de lado: Corpo a Corpo (1984), trama de Gilberto Braga centrada na disputa de poder de personagens "guiados" pelo diabo; De Corpo e Alma (1992), de Gloria Perez, de triste lembrança em razão do assassinato de Daniela, filha da autora; e Explode Coração (1995), também de Gloria, para a qual se aventou, inclusive, cenas inéditas, envolvendo a trama das crianças desaparecidas.



Em julho de 2001, para turbinar os índices do 'Vale a Pena', a Globo apostou no Você Decide. A intenção era manter o programa interativo - pessimamente apresentado por Susana Werner neste equivocado regresso - no ar até agosto. Na sequência, pretendia-se apostar em Perigosas Peruas (1992). Mas executivos do canal alegavam que a comédia de Carlos Lombardi já estava "velha" para o horário. Por Amor, reprisada no ano seguinte, também foi candidata à faixa. O insucesso do Você Decide, contudo, implicou no regresso de A Gata Comeu (1985), já reexibida na sessão em 1989 - curiosamente, uma trama mais antiga que 'Peruas'.



Sempre lembrada pelos noveleiros para o Vale a Pena Ver de Novo, Estrela-Guia (2001), exitosa produção de Ana Maria Moretzsohn estrelada por Sandy, chegou a ser anunciada no site da Globo como substituta da primeira reprise de Anjo Mau (1997), em janeiro de 2004. Mas a não-renovação do contrato com a cantora - e com seu irmão Júnior, também músico - causou o cancelamento da reapresentação. Corpo Dourado, de Antônio Calmon, ocupou a vaga. "A história de uma verão inesquecível" voltou ao ar num 12 de janeiro, exatos seis anos depois de sua estreia às 19h. E manteve os índices do horário lá em cima...



Por infringir as normas da Classificação Indicativa para o horário livre, Laços de Família (2000) não pode substituir Terra Nostra (1999) em novembro de 2004. Recorreu-se a Deus Nos Acuda (1992), num compacto de 80 capítulos, até que o folhetim de Manoel Carlos fosse liberado. Em novembro de 2005, a história se repetiu. Cogitada para suceder Força de um Desejo (1999), Porto dos Milagres (2001) acabou vetada pelo Ministério da Justiça em razão das cenas que continham "relação íntima, linguagem degradante e violência (assassinato, suicídio, agressão verbal e física)", impróprias para menores de 12 anos; ou seja, antes das 20h.



Neste momento, ao invés de buscar uma novelinha "mais amena", a Globo foi até 1998 resgatar a polêmica Torre de Babel. Os dez primeiros capítulos foram reeditados e enviados para a liberação do Ministério da Justiça. Nada feito. Mesmo com a edição, a novela de Silvio de Abreu continuou "forte, verdadeira e emocionante" para as tardes, não recomendada para menores de 12 anos, por conter "violência (agressão física e verbal) e linguagem depreciativa". Eis que enquanto a emissora reapresentava Porto dos Milagres lá no exterior - e Torre de Babel era enviada de volta para a prateira - o público daqui pode conferir A Viagem, outra vez.


Alma de Cetim, biografia do autor Alcides Nogueira escrita por Tuna Dwek, traz um dado curioso a respeito da esquecidinha O Amor Está no Ar (1997). A novela, centrada na disputa de mãe e filha pelo mesmo homem (Betty Lago, Natália Lage e Rodrigo Santoro), abordava fenômenos relacionados à ufologia e até ao tão debatido chupa-cabra, "celebridade" sobrenatural daquele tempo. No livro, Alcides revela que os executivos da Globo responsáveis pelo 'Vale a Pena' listaram 'O Amor' como possível cartaz para a sessão de repetecos. Curtinha - apenas 137 capítulos -, a novela teria dado uma boa "reprise de verão".



Em 2012, o Ministério da Justiça endureceu o jogo. Para liberar uma trama das 20h para o Vale a Pena Ver de Novo, a Globo teria de submeter, se os responsáveis pela Classificação Indicativa achassem conveniente, todos os capítulos à avaliação, já editados. Por ter se recusado a seguir tal norma, a emissora não conseguiu liberar Páginas da Vida (2006) para a vaga de Mulheres de Areia (1993), em sua segunda reapresentação. É bem verdade que a novela de Manoel Carlos é bem "pesadinha" no início, com direto a strip-tease de Ana Paula Arósio (Olívia) e gesto obsceno de Lília Cabral (Marta).



Em junho do ano passado, a Globo pediu a reclassificação de Alma Gêmea, maior audiência do horário das 18h na última década. Inicialmente liberada para todos os públicos, a trama deixou de ser indicada para "menores de 10 anos" por apresentar "violência" - o assassinato de Luna (Liliana Castro) no primeiro capítulo - e "drogas lícitas" - como cigarros e bebidas. Há quem diga que a novela de Walcyr Carrasco, já reprisada em 2009, pinte na sequência de Senhora do Destino; o canal, contudo, nega. Também nesta época, cogitou-se o remake de Tititi (2010), supostamente cancelada por conta da coincidência de elenco com Haja Coração, então no ar às 19h.



Nos anos 80, o 'Vale a Pena' reprisou uma única novela das oito: Água Viva (1980), de Gilberto Braga, com colaboração de Manoel Carlos. Corre internet fora, contudo, o boato acerca de uma reapresentação de Baila Comigo, primeiro trabalho solo de Maneco na faixa "mais nobre", em janeiro de 1986 - quando pintou Feijão Maravilha (1979). O TV História apurou que a trama dos gêmeos João Victor e Quinzinho (Tony Ramos), de fato, quase ganhou repeteco naquele ano, mas às 18h, após Sinhá Moça, devido a problemas que atrasaram a produção da inédita Direito de Amar, que só estreou em 1987. Porém, foi Locomotivas (1977) quem ocupou a vaga.

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