O dia que um homem "emprestou" sua esposa ao amigo e tirou Flávio Cavalcanti do ar



Muitos apresentadores polêmicos se destacaram na historia da nossa televisão. Porém, um em especial ficou marcado por seu jeito explosivo e com opinião forte. Estou falando de Flávio Cavalcanti.



Goste ou não, ele foi um dos maiores apresentadores da nossa TV. Lançou inúmeros artistas, criou bordões como "Um instante maestro!" e "Nossos comerciais, por favor!" que ficaram na história e no imaginário popular.

Era comum em seu programa Flávio levar assuntos polêmicos: seja sobre espiritismo, Óvnis, o mercado negro do transplante de córneas, entre outros assuntos espinhosos que alavancava a audiência da Rede Tupi nos anos 1960 e 1970.

Entre tantos programas com temas fortes, houve um episódio que levou o seu programa a ficar 60 dias fora do ar. O apresentador, mesmo sendo um defensor da censura e da ditadura militar, sofreu com os cortes dos censores que queriam levar à televisão apenas os "bons costumes" para as famílias brasileiras.

Flávio trouxe ao seu palco três pessoas que enfrentavam um problema: o lavrador José Gonçalves "emprestou" sua esposa, Rita, para o pedreiro João, que também era casado. O problema era que José não conseguia a "devolução" da esposa, que pareceu ter gostado de João e que gostaria de ficar cuidando dos dois.

"Mas porque o senhor emprestou sua esposa", perguntava Flávio ao lavrador. Ele sofria epilepsia e tomava um número grande de calmantes que, por sua vez, o deixavam impotente, e para resolver seu problema, ele "emprestou" sua esposa ao pedreiro.

O constrangimento no rosto de Rita era visível durante o "julgamento" que atingia um ótimo índice de audiência naquele domingo à noite. Um fato como esse, se fosse apresentado hoje, seria mais um entre tantos outros que o programa do SBT, Casos de Família, apresenta, trazendo pessoas simples e pobres com seus problemas expostos de forma jocosa para milhões de pessoas.

Mas naquela época nada disso era "normal" e a censura caiu em cima de Flávio Cavalcanti. O "julgado" seria o apresentador, pelo então ministro da justiça Alfredo Buzaid e o ministro das comunicações Hygino Corsetti.

O programa foi visto por pelo menos duas vezes e, depois de uma hora de deliberação com os líderes dos partidos do regime militar, Arena e MDB, a sentença saiu: o programa de Flávio Cavalcanti tinha que ser punido.

O programa ficaria 60 dias fora do ar e o apresentador, junto com o diretor da atração, Wilton Franco, não poderiam exercer suas funções também pelo mesmo período. Esse fato abriu um debate sobre a "moral e os bons costumes" na televisão.

Houve quem ficasse do lado de Flávio, mas muitos foram contra, chamando a atração como "uma dolorosa manifestação de subcultura".

O que restou ao apresentador foi ficar em sua casa, em Teresópolis, curtindo sua suspensão. Mas, para a Tupi, ficou um prejuízo estimado em 1,4 milhão de cruzeiros.

A emissora não recorreu da sentença, alegou que foi um erro de todos, que o quadro não deveria ter ido ao ar e que seria criado um departamento para que todos os programas passassem por um pente fino.

Se isso foi feito ou não, é outra historia. O fato foi que Flávio Cavalcanti voltou ao ar trazendo polêmica em suas atrações de gosto duvidoso, atingindo bons índices de audiência e incomodando a Rede Globo.

O público, querendo ou não, aceitava o sensacionalismo já naquela época. E Flávio entregava o circo com maestria ao telespectador.

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