Apelidos, roteiros e intrigas: os bastidores da saída de Claudia Jimenez do Sai de Baixo



Desde maio, a Globo voltou a exibir os episódios do programa Sai de Baixo, mostrando que o humorístico ainda tem força 21 anos após sua estreia.



O programa foi um fenômeno nas noites de domingo e trouxe uma grande audiência para a Globo, que amargava a vice-liderança do horário, perdendo para o Topa Tudo por Dinheiro, comandado por Silvio Santos, no SBT.

A frustração do dono do Baú era dupla, pois perdia no Ibope para um projeto que ele mesmo recusou: Sai de Baixo foi oferecido ao Sistema Brasileiro de Televisão por seus idealizadores, antes de ser produzido pela Rede Globo.

O elenco escolhido era incrível: Luiz Gustavo, Aracy Balabanian, Miguel Falabella, Claudia Jimenez, Tom Cavalcanti e Marisa Orth arrancavam gargalhadas dos telespectadores que amavam as confusões da família do largo do Arouche.

Porém, nem tudo foi graça naquele apartamento e os comentários negativos eram proporcionais ao sucesso: cada vez que o programa ganhava mais audiência, as fofocas na imprensa aumentavam. As críticas, por sua vez, também, e muitas delas eram voltadas ao roteiro do programa.

No meio de tantos boatos, um fato foi verdadeiro e envolvia Claudia Jimenez, a empregada Edileusa. Em uma entrevista ao Jornal do Brasil, Claudia afirmou que a qualidade do texto estava caindo e reclamou de um episódio em especial: O ET do Arouche, que explorava o caso do ET de Varginha. "A qualidade está caindo mesmo, e não foi apenas no último programa. Isso já vem acontece há pelo menos um mês", disse ela na entrevista, que demonstrava ressentimento com o baixo nível dos textos.

A mesma reportagem trouxe a versão de Claudio Paiva, responsável pela redação final do programa, que alegou disputa entre egos: Jimenez culpou o texto por achar que sua personagem não obteve o tamanho sucesso que Magda, de Marisa Orth. O redator, inclusive, refutou essa questão, ressaltando que todos tinham o mesmo espaço dentro da atração.

Toda essa confusão gerou um atrito entre as atrizes, trazendo um mal estar aos bastidores do programa e mais críticas vindas da parte de Claudia, direcionadas à equipe de roteiristas. No episódio Programa de Índio, a atriz interpretou a índia Urucubaca, que possuía uma cobra de estimação. Jimenez, propositalmente, trocou o nome da cobra "Amarelinha" para "Paivinha", provocando Claudio Paiva, que estava no auditório acompanhando as gravações.

Uma das reclamações da atriz eram as ofensas: apelidos como rolha de poço, supositório de baleia, entre outros, faziam parte do roteiro. Nani, um dos roteiristas, afirmava que essas piadas não estavam no script e o responsável era o improviso de Miguel Falabella, embora todos os atores respeitassem o texto.

Apesar de todos os problemas, o programa continuou com grande sucesso até o final de 1996, e já estava garantido na grade de programação de 1997. Entretanto, aquela temporada foi a última com o elenco original.

Em janeiro, o diretor Daniel Filho pediu a cabeça de Claudia Jimenez ao vice-presidente de operações, Boni. Claudia havia irritado os diretores, em alguns casos até se recusando a dizer algumas falas do roteiro, além de tecer críticas ao programa abertamente. Por tudo isso, Edileusa foi dispensada do Arouche.

Ao Jornal do Brasil, em 26 de janeiro de 1997, Claudia falou sobre o seu desligamento do seriado: "Eu acho que o meu grande erro foi tentar modificar as coisas com as quais eu não concordava. Eu realmente fui insubordinada algumas vezes, mas só porque eu queria melhorar as coisas. Eu acho que eles têm todo o direito de me demitir. A sacanagem não foi a demissão, mas a maneira como as coisas foram feitas".

A escolhida para substituir Claudia foi Ilana Kaplan, atriz vinda do teatro, que viveria a empregada Lucinete. Mas ela ficou apenas quatro episódios no apartamento do Arouche: seu humor sofisticado não se encaixou ao estilo do programa.

A seguir, Marcia Cabrita, escolha de Miguel Falabella desde a saída de Jimenez, entrou para o programa como Neide Aparecida. Ela herdou o figurino que seria de Lucinete e criou o seu próprio estilo, distante das outras empregadas, sendo um grande sucesso por quatro temporadas.

Após a saída de Marcia, Claudia Rodrigues, atriz já conhecida do público por seus papeis em Caça Talentos e Zorra Total, integrou o elenco interpretando Sirene e ficou até o fim do programa, em 2002.

Independentemente de todos os boatos, brigas e fofocas, Sai de Baixo tem seu espaço garantido como um dos melhores humorísticos da história da televisão.

Claudia Jimenez continuou com o seu trabalho e a amizade com os antigos colegas, mantendo as brigas no esquecimento.

Marcia Cabrita se foi na última sexta (10), mas deixou seu trabalho e sua versatilidade registrados no velho apartamento do Arouche, e, até hoje, tira risadas de vários brasileiros, agora nas tardes de sábado.

Fonte: Almanaque Sai de Baixo (2010)
Autor: Danilo Rodrigues

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